terça-feira, 29 de agosto de 2017

Tem um navio de aventuras esperando por nós…

Vista atual da saída do prédio do antigo orfanato. Sim, ao fundo o ainda belo Guaíba...


          Minha vida de aventuras começou, até onde eu consigo lembrar, aos nove anos de idade. Nessa época eu morava em um orfanato na zona sul de Porto Alegre. Filho de pais divorciados e vindo de uma família que se arruinará pelos percalços da vida. Meu pai, depois de ter “dado” minhas duas irmãs para adoção, resolveu que eu ficaria melhor aos cuidados do Estado, pelo menos até que ele tivesse melhores condições para me criar. Infelizmente, as coisas não saíram como ele planejará e a notícia da morte prematura de minha mãe foi um golpe duro para ele suportar. Desta maneira, aos 14 anos de idade, eu estava entregue ao meu próprio destino para seguir minha vida sozinho até a vida adulta. Mas isso já é outra história...

           Nesse período, apesar da saudade que sentia de uma família que em tão pouco tempo se desfez, passei momentos incríveis junto à natureza. Durante os três anos que permaneci no orfanato minhas maiores preocupações foram construir um barco de piratas as margens do rio Guaíba e sair para conhecer o mundo. Para realizar essa missão eu e mais alguns amigos do orfanato fugíamos, quase todos os dias, em busca de nossas aventuras e descobertas pelas matas, ainda bem preservadas, dos morros da zona sul de Porto Alegre.

           Após um longo dia de caminhada, comendo frutos silvestres e bebendo água de rios e cascatas, retornávamos ao final de cada dia para o nosso enorme prédio comunal, onde centenas de crianças buscavam, a sua maneira, serem felizes. Nunca esqueci daqueles momentos que vivenciei no orfanato e tão pouco da sensação incrível e revigorante que anima meu espírito até os dias de hoje pelo contato constante com a natureza.

            Essa emancipação prematura que recebi e o contato com o mundo natural foi um dos mais belos presentes que me foi brindado pela vida. Foi meu passaporte para a felicidade e um antídoto eficaz contra qualquer aborrecimento. Embora nosso barco nunca tenha saído do mundo das ideias essas vivências estão gravadas na memória. E foi assim que as atividades ao ar livre influenciaram minha vida até os dias de hoje…

Como as atividades ao ar livre melhoraram sua vida? 

“You have to make a lot of sacrifices. There’s no light at the end of the tunnel – and then, after a while, you realise there’s not going to be, so you might as well enjoy the journey. It’s a challenge. But I love meeting people and hearing how bushcraft has improved and enhanced their lives. That’s what my business is about.” 

                                                                                                               Ray Mears








4 comentários:

  1. Cadu, gostei muito do seu texto. Bela história, a natureza é realmente uma mãe. Gratidão.

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  2. Meu amigo, é uma história e tanto. Parabéns, isso prova que nós somo praticamente dono do nosso destino, e que a natureza é nossa mãe.

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  3. Cadu, receba daqui um abraço fraterno.
    Muito obrigado por compartilhar sua história.
    Que Deus o abençoe muito.
    Abraço

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  4. Bons tempos!!! Essa etapa da tua vida foi pouco antes de nos conhecermos. Lembro que tivemos boas aventuras com nossa turma do Bom Fim!!! E como teu pai era amoroso e preocupado contigo... eramos uma comunidade onde todos conviviam como irmãos e muitos pais te admiravam e te tinham como um filho. Ainda lembro de muitas aventuras pelas redondezas e das buscas por ovnis...

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