segunda-feira, 15 de maio de 2017

Escola de Bushcraft no Brasil - Parte II



            (…) bem, no Brasil, até onde me lembro, a prática de educação física nas escolas se resumia a futebol para os meninos e vôlei para as meninas. Se esse quadro ainda prevalece nos dias de hoje é, no mínimo, lastimável. Um País como o Brasil com clima maravilhoso que permite a práticas de diversas atividades ao ar livre o ano todo com praias, montanhas, rios, lagos e lagoas espalhados por todo território nacional, oferecer apenas um limitado tipo de atividade física é inacreditável... Por que não oferecemos atividades que estimulem o contato com a natureza no currículo escolar? Precisamos apenas mudar nossa bagagem cultural. Somado a isso o número de famílias e de adolescentes que passam seus finais de semanas dentro de um Shopping sem sequer ver a luz do sol é assustador. O resultado não poderia ser outro - um distanciamento cada vez maior dos ambientes naturais. A maioria das pessoas não consegue reconhecer nem mesmo uma única espécie de árvore.

            Atualmente nós moramos em uma cidade pequena no interior do estado de São Paulo, e, desde que estamos aqui, sempre nos questionamos quais seriam as alternativas de lazer e entretenimento para famílias, crianças e adolescentes nessa região. Embora a paisagem ainda sustente rios, cachoeiras e alguma área verde esses seriam os últimos locais de lazer escolhidos por essas famílias. Os grandes centros comerciais ainda são o “grande atrativo” como forma de lazer.

            Não é difícil entender e, até concordar, com essa escolha. Para praticar esportes e atividades ao ar livre precisamos de segurança, algum conhecimento, infra-estrutura adequada e pessoas qualificadas para gerenciar e fornecer esse tipo de serviço. Temos muitas opções de esporte de aventura - esportes radicais como: rapel, tirolesa, rafting e tantas outras atividades monitoradas. Mas e o simples contemplar de uma paisagem natural, um acampamento de final de semana em família, um piquenique na beira de um lago ou em um parque no final da tarde? São atividades tão simples e que podem ser realizadas praticamente em qualquer local e diversas vezes ao mês sem precisarmos nos deslocar centenas de quilômetros de nossas residências. Isso diminui significativamente custos e tempo, e sem dúvida são atividades viáveis, acessíveis e poderiam ser muito mais frequentes do que gastar com viagens caras para fazer rafting, tirolesa ou sei lá o que em rios distantes uma vez ao ano. Mas mesmos essas atividades simples requerem um mínimo de conhecimento, estudo e preparo para não se tornar uma experiência ruim ou até mesmo trágica. Como reverter esse quadro?

           Bom, primeiro devemos fazer a lição de casa. Alfabetização ambiental! Sim, devemos conhecer nosso ambiente natural e saber tirar o melhor proveito dele. Isso só pode acontecer com educação de qualidade seja ela formal ou não formal. Educação é um bem comum! Nesse contexto, diversas Escolas de Bushcraft tem desenvolvido excelentes trabalhos em muitos Países. Mas como seria uma escola de bushcraft no Brasil?

            Uma escola de Bushcraft é muito mais que um lugar que ensina habilidades, técnicas ou que segue um currículo estabelecido por normas, regras ou qualquer outro tipo de imposição hierárquica proposta por qualquer entidade ou por outros praticantes de bushcraft. Não há necessidade de seguir essas regras porque o mais importante numa escola de Bushcraft é que ela seja um lugar que provê vivências. São essas experiências que transformam o indivíduo e deixam marcas duradouras e geram mudanças comportamentais significativas que proporcionam melhoras no cotidiano e mudanças positivas no estilo de vida do praticante. A boa prática do bushcraft conduz naturalmente o ser humano a um estado contemplativo e, consequentemente, de reflexão. O processo de aprendizagem se desenvolve de maneira profunda e continuada. Nesse sentido o Bushcraft proporciona um conjunto de experiências positivas e prazeirosas que transcendem o simples domínio de uma técnica ou habilidade seja ela qual for.


(continua...)






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