sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Uma jornada pela floresta significa aceitar a outra metade do dia - a noite


             O que me separa do interior da floresta é uma camada de tecido impermeável e uma fina tela transparente. A visão da floresta é intrigante e enigmática. Quem são seus habitantes? Tanta vida, tantos enigmas. Todos esses seres têm as mesmas necessidades básicas, todos! Mas, aparentemente, apenas eu tenho o luxo de questionar tudo isso. Para a maioria dos seres da floresta só resta a difícil tarefa de se manter vivo.

            Esses momentos vivenciados no interior da floresta são únicos e extremamente marcantes. A percepção e nosso conceito de o que é vida e do viver estão em conflito. É nessa parte do dia que predadores e presas cumprem sua difícil missão – permanecerem vivos.

            Imerso nesse velho novo mundo todos os sentidos são convocados e um misto de angústia e euforia se misturam numa espécie de abraço sufocante que aos poucos se transforma em leveza e harmonia. Ao nascer do sol, nos primeiros raios saindo no horizonte, você não é mais o mesmo.

            Fui à floresta atrás de respostas, mas encontrei sentido.



                                                                                                                                      Cadu

(...) dias em plena solitude

terça-feira, 17 de maio de 2016

Colete Cobra - DIY (Equipamento de Auxílio à flutuação)


            Equipamentos de auxílio à flutuação (EAF) têm como principal objetivo permitir uma flutuabilidade mínima que garanta sua segurança durante uma atividade náutica. Esse tipo de equipamento é indicado apenas para águas calmas e abrigadas que não exijam equipamentos de salvatagem homologados pela Marinha do Brasil.


             São ótimos para atividade de recreação de final de semana como pescarias ou passeios de caiaques e canoas ou um simples mergulho com snorkel. Entretanto, não é um equipamento salva-vidas e só deve ser utilizado por pessoas que saibam nadar ou pessoas acompanhadas de bons nadadores.

             Esse equipamento ajuda na flutuação proporcionando maior segurança. Você gastará muito menos energia nadando fazendo pequenas pausas para descanso enquanto você se desloca. Além disso, você evitará riscos como arranhões e batidas em rochas e objetos que possam estar depositados no leito de um corpo d'água caso você venha a cair acidentalmente de sua embarcação.


              Esse modelo de EAF - DIY eu batizei de “Colete-Cobra”. Ele tem boa flutuabilidade podendo suportar até 150Kg (com um espaguete). Ele permite grande mobilidade dos braços sendo possível fazer um bom deslocamento nadando sem riscos de assaduras. E para melhorar ele não custou nem R$ 10,00 reais.


Lista de material necessário:
1) Um espaguete de flutuação - Polietileno expandido (custa de 5 a 7 reais no comércio em SP). Você poderá fazer um duplo espaguete. Isso aumentará muito a flutuabilidade mas você perderá um pouco de mobilidade. Basta refazer esse projeto com sua criatividade.

2) Um pedaço de tecido de sua escolha. Eu optei por um tecido camuflado de brim (posteriormente impermeabilizado). Mas você pode utilizar outro tecido como Rip Stop, tecidos sintético impermeáveis, pernas de uma calça jeans. Use sua criatividade.

3) Linha de sapateiro, para couro, ou outra linha similar que tenha bastante resistência como linha de pesca.

4) Agulha de costura

5) Tiras, fivelas e presilhas plástica. Eu reutilizei tudo de uma mochila velha. O importante é que presilhas e fivelas sejam lisas e sem arestas ou pontas que possam causar alguma injúria para você ou para o seu equipamento.


Obs.: Eu costurei tudo a mão. Mas uma ajudinha de uma máquina de costurar vai bem ;)
Baita abraço!
Cadu

Material: espaguete, tecido, linha e restos de uma mochila
Colete pronto
Vista frontal
Vista lateral
Vista das costas
Detalhe da presilha do pescoço 
Detalhe do apito
Detalhe da costura




Teste do Colete Cobra

segunda-feira, 7 de março de 2016

Guia definitivo para seleção de panelas para acampamento – a última cruzada

        

            Diversas vezes sou questionado e advertido sobre os riscos e perigos do uso de caldeirões de alumínio, latas de alimentos e outras tantas tralhas que eu utilizo para cozer meus alimentos em meus acampamentos. A lista de riscos é enorme. Nas lojas especializadas em atividades outdoors existe uma infinidade de marcas e produtos de última geração que prometem eficiência e segurança na hora de cozinhar, será mesmo? Neste post vou fazer uma breve análise de dois dos principais riscos que são frequentemente apontados quando o assunto é “Kit de cozinha”.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Como fazer saquinhos para prática do bushcraft - DIY


         D.I.Y. é uma abreviação de “Do it yourself” ou Faça Você Mesmo. Existe uma filosofia e um conceito ideológico que permeiam o surgimento dessa sigla que, embora seja muito interessante, não convém nessa postagem. Quem sabe na próxima...

         A idéia é de que tudo é feito com seu suor. Na verdade trata-se mais de uma atitude “vou fazer, vou reparar por conta própria e pronto!”. O mais  bacana, no meu ponto de vista, é que além suprir suas necessidades, desejos e sonhos de consumo você também desenvolve capacidades e habilidades que até então supunha não ter. Além de estimular a capacidade criativa ajuda a desenvolver uma filosofia muito própria das “Antigas Artes do Mato”. Eu realizei muitos acampamentos e expedições mas as melhores empreitadas foram as realizadas com os itens que eu mesmo fiz. Nada supera o prazer de ter em mãos a sua criação.

         Nesta postagem eu mostro um pouco o passo-a-passo de um projeto DIY muito simples: a confecção de saquinhos.



Material utilizado para confecionar os saquinhos. O tecido que eu utilizei aqui é lã martelada. Além desses materiais estão faltando os alfinetes de costura (vários).


Depois de cortadas as dimensões corretas dos saquinhos comece costurando o tecido retangular. Importante: as costuras devem ser do lado avesso do saquinho. Depois de costurado o retângulo vai formar uma espécie de cilindro de tecido. Escolha um dos lados para ser o fundo e o outro para ser a boca de abertura.


Ajuste o tecido do fundo com alfinetes de costura. Esse procedimento é importante, não só, para evitar que forme “bolsas” com o tecido mas também para auxiliar no manejo com a agulha.



Detalhe da costura. Observe que a costura esta “caseada”. Você deve fazer três tipos de de costuras em cada emenda do tecido. A primeira indo em “S” e a segunda o movimento em “S” voltando, depois você deve terminar “caseando” essa costura. Esses procedimentos vão garantir que o tecido não se desfaça e tornará seu saquinho muito mais resistente.


Detalhe da costura da casinha (local onde passará o barbante). Observe que eu utilizo um grampo de cabelo para auxiliar na passagem do barbante pela dobra costurada.


O cordão e outros detalhes são de sua escolha, varie quanto quiser!

Fiz também outro modelo mais simples com tecido de algodão cru, mas vou deixar para mostrar em uma próxima postagem.




Até a próxima!

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

A importância do estudo de meteorologia para a prática de atividades ao ar livre (...) Apenas?


           “Na direção Sul, onde o céu estivera perfeitamente limpo até uma hora antes, havia então um manto de nuvens cobrindo o Puromi, o Ama Dablam e outros picos menores que rodeiam o Everest. 
 Mais tarde – depois que foram localizados seis corpos, depois que a busca de outros dois foi abandonada, depois que os médicos amputaram a mão direita gangrenada de meu companheiro de equipe Beck Weathers, as pessoas se perguntaram por que, se o tempo começará a piorar, os alpinistas não prestaram atenção aos sinais. Por que aqueles veteranos guias do Himalaia continuaram subindo e conduzindo um bando de amadores relativamente inexperientes – que pagaram 65 mil dólares para chegar em segurança ao Everest- rumo a uma evidente armadilha mortal?”
Trecho retirado do livro No ar rarefeito: um relato de uma tragédia no Everest em 1996. pág. 22

             Ao sair para uma atividade ao ar livre podemos observar o céu e prever, com boa margem de acerto, como o tempo se apresentará para as próximas horas ou para o dia seguinte. (Colorado, 2002). É importante lembrar que os ventos, temperatura do ar e o local onde você se encontra também têm influência significativa nesta previsão. O fato é: mudança de tempo, na maioria dos casos, pode ser prevista. Isso ficou bem evidente no relato minucioso de Jon Krakauer sobre a tragédia no Monte Everest. (Krakauer, 1998).