domingo, 15 de março de 2015

Como cagar no mato

A História do Cocô - Cocoricó

            A preocupação com os impactos ambientais decorrentes das atividades ao ar livre em áreas naturais é cada vez maior entre excursionistas e órgão públicos de proteção ambiental. Esta preocupação é legítima uma vez que nossas matas estão ficando cada vez mais escassas e fragilizadas com os avanços de sei lá o que, talvez o que chamamos de “progresso”. Mas dizem que estamos avançando, talvez sobre as matas, se for este o caso, estamos mesmo. De qualquer forma, neste momento, isso não importa. O que importa é que esse quadro tem favorecido a disseminação de “cartilhas de boas maneiras no mato” que vão desde manuais de caminhadas e acampamentos até guias que dita todo tipo de regra que se possa imaginar. Algumas muito bem pensadas outras nem tanto.
           

            O primeiro problema que eu vejo nesse tipo de cartilha de regras é o efeito do que eu chamo de sentimento de bom senso “coletivo”- alguém pensou por mim, deve estar bom, e só seguir o que está escrito – pronto! E uma vez que um conjunto de regras é impresso nesse “consciente coletivo” é difícil fazer alguém repensar e questionar essas regras. Entre as regras que viraram um tipo de dogma do bom comportamento no campo está aquela que dita sobre como devemos limpar a bunda no mato. E esta regra começa com:


Traga seu papel higiênico de volta - Essa virou uma regra de ouro em acampamentos selvagens! Enterrar o papel higiênico virou quase um crime capital - Qualquer cartilha ou manual de qualquer parque (são bem pouco os parques, hoje, que se pode fazer um acampamento selvagem) estará lá essa regra! Entendo que um escalador, subindo uma parede, por dois ou três dias de escalada, não terá muitas alternativas de onde colocar todos seus preciosos resíduos que não seja num grande tubo e trazê-los de volta “são e salvo”. Porém, esse é um caso bem particular. A questão é que quando eu li essa ordem “Traga seu papel higiênico de volta” fiquei incomodado, mas hoje não concordo com ela.

As razões são bem simples :
1) Por que eu tenho que expor minha comida, minhas roupas e meus companheiros de viagens trazendo em minha mochila resíduos biológicos contaminantes?

Sim, porque merda é resíduo biológico 
contaminante, ou você achou que  suas fezes 
não entravam na categoria de coliformes fecais

Se é esse caso, será que eu deveria levar dois sacos vermelhos como barreira de proteção e uma placa de risco biológico na minha mochila? Pois essa é a determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária/ANVISA – RDC Nº 306, de 7 de dezembro de 2004 – para resíduos que possuem a possível presença de agentes biológicos que, por suas características, podem apresentar risco de infecção. O pior é que alguém ainda pode propor esse absurdo. Mas vamos pensar, o que é mais impactante? Eu enterrar meu papel higiênico no local com as fezes ou embrulhá-lo em camadas de sacos plásticos de supermercados para dar um destino que, no melhor dos casos, será o lixão?

Mas vamos prosseguir com algo ainda mais nevrálgico...

2) Quem disse que o papel higiênico é higiênico?

3) Quem disse que papel higiênico mantêm seu corpo limpo e saudável?

            Usar papel higiênico pode “funcionar” na cidade, onde se usa papel para tudo: boca, ânus, coxinha de bodega, número de chamada em filas de bancos e o diabo. Mas confesso que não entendo, se existe tanta preocupação em “mínimo impacto” em ambientes naturais. Por que não mudar hábitos da “cidade”, como usar papel higiênico, ao invés de mantê-los e levá-lo para atividades ao ar livre? Por que tenho que usar papel higiênico de qualquer forma, principalmente no mato?

            Por favor, não me entenda errado, não estou sugerindo que devemos ficar imundos em nossas atividades ao ar livre, nada disso. Mas eu posso tranquilamente cavar um buraco com todas as especificações, profundidade e distâncias de margens de rios e depois de terminado o serviço, posso simplesmente lavar o maquinário traseiro com água e secar com uma fralda de criança (seca rápido e não ocupa quase nada de espaço). Isso evita que eu exponha a min e aos outros com meus resíduos de excremento humanos andando por aí. Porque, nesse caso, é simplesmente isso; resíduo humano com todo potencial de causar estragos. 

            Ok! Você pode até ficar com nojo e com muita resistência de ter que usar sua mão como papel higiênico, mas não existe argumento que justifique o uso do papel higiênico, principalmente em condições de campo. Pense, o papel higiênico é poroso e ele não retira toda caquinha que saiu de você, na verdade você apenas esfrega tudo em uma direção até achar que ficou limpo, pura ilusão porque não ficou, já vou avisando! Aliás mesmo usando papel higiênico a sua mão também fica com resíduos e você terá que lavá-las de qualquer maneira, certo? Como a mamãe ensinou! Depois você terá que acondicionar e proteger seu papel sujo para que ele não contamine suas roupas, comida e seus coleguinhas (que também terão uma “bomba biológica” dentro de suas mochilas). Ele será seu companheiro de viagem, seu melhor amigo, até você encontrar um descarte adequado. Quanto tempo dura sua aventura? Três dias? Uma semana? Pois é, este será o tempo de acúmulo de papel higiênico imundo na sua bagagem. Quais as chances de isso dar certo? E qual o real saldo de todo esse sacrifício em termos de impacto ambiental?

            Isso não faz sentido, não é? Então por que diabos eu TENHO que levar papel higiênico para o mato para depois trazê-lo de volta? Se você acha que usar apenas água para se limpar é muito nojento, então pelo menos, reduza o uso do papel associando-o com uma lavagem com água no próprio local. Uma fracão mínima de papel enterrado não será um problema, ele irá se decompor rapidamente. Por último, você ainda poderá transformar seu cocô em algo potencialmente bom, pergunto: você conhece o velho sistema de latrinas de trincheira? Pois então, podemos utilizar um sistema simplificado parecido. 

Como fazer isso? 

- Escolha um local distante, pelo menos 60 metros, de qualquer fonte de água. Você cava um buraco com mais ou menos 15cm de profundidade. Importante, você não deve cavar muito fundo, pois necessitará da camada de húmus para ajudar na decomposição dos resíduos.

- Cuidado para não fazer o buraco em local que tenha água subterrânea na superfície (se cavar e o solo estiver úmido ou inundar - esse não e um bom local, procure outro).

- Após terminado o buraco você deve adicionar junto ao fundo; folhas, cascas de árvores isso ajuda a incorporar mais micro-organismos (fungos e bactérias). Eles serão muito úteis para a rápida e completa decomposição dos seus amiguinhos.

- Agora você já pode se aliviar!

- Depois de terminado o serviço sujo, você adiciona areia ou cinzas* do seu Woodstove; por exemplo (veja postagem anterior), com água. A própria água de lavagem serve para esse propósito. Em linhas gerais os micro-organismos “comem” os restos orgânicos e excretam húmus ou seja, fertilizante orgânico.


A matemática é bem simples:

            Micro-organismos do solo (bactérias e fungos) + matéria orgânica (folhas, cascas de árvores e fezes) + terra ou cinzas*(fonte de Potássio) + água = húmus. Você fecha o buraco e pode até plantar uma árvore! Para cada cagada uma árvore, perfeito

* cinzas de churrasco não servem porque tem sal e gordura, ok!
           
            Se você quiser ajudar ainda mais a deixar marcas positivas na natureza você pode usar sua urina como fertilizante, urina tem nitrogênio e fósforo que são essenciais no crescimento de plantas.  Três partes de água para uma parte de urina = fertilizante. O ideal e deixar a urina “descansar” por uns três dias em um pote fechado. Obviamente, o cheiro não será bom, mas urina é bem menos contaminante do que fezes humanas. Depois desse período você deve diluí-la em água (3/1) e espalhar no solo da floresta. As plantas pulverizadas com essa mistura de água + urina podem crescer tão bem quanto as plantas com adubos químicos. Se você já estava disposto a levar seu papel higiênico sujo para “casa” não terá dificuldade em prestar esse pequeno serviço para a mãe natureza, nê?

            Bom, espero que essa leitura ajude as pessoas a pensarem sobre suas ações e a decidirem sobre qual o melhor método para elas.





 “Enquanto seu comportamento não muda, as próprias pessoas são responsáveis pelos seus problemas!”


A história do cocô – Cocoricó

 - Se funciona com crianças...

Já tô acostumado,
Já tô acostumado a ser pisado,
Maltratado,
Ser jogado pro esgoto,
Ser usado como xingamento,
Palavrão,coisa ruim.
Já tô acostumado.
Ah coitado!
Que coitado o que?
Ele é um cocô!
Ô seu cocô,não fique chateado.
É mesmo,
O que há de errado?
Vou contar a minha história,
Uma triste,
Triste história,
Me chamam de fedido,
Fedido!
Nojento,
Nojento!
Caca,
Caca!
De tudo que é ruim.
Ninguem gosta de mim,
Mas eu não tô nem aí,
Eu sô cocô,
E eu nasci assim.
Já tô acostumado,
cocô,
cocô,
olha o cocô!
Já tô acostumado,
cocococô!
Hihi,cocô!
Hnf,hnf,
Cocô.
Eu existo,
porque vocês são bichos,
que gostam de comer.
Milho é muito bom!
Hum,chocolate!
Hum,grama!
E tanta comida serve pra que?
Pra gente ficar mais forte,
Mais bonito,
Mais crescido ó!
Mais todo bicho que gosta de comer,
Depois do que ele come,
Lá dentro da barriga ele faz o que?
Cocô!
Faz o cocô!
Cocô!
Ele faz o cocô,
Yeah,
Yeah,
Uuuuuuuu,
Ele faz o cocôôôôô,
Uôuô!
Opa!
Me dá uma licencinha?
Cocô,
Cocô.
Hihihi,
cocô.
Tá,
Mais agora posso limpar você daí?
Ah,limpa Júlio,
Cocô não serve pra nada mesmo.
Opa!
Inútil não!
Tem muito bicho,
Que acha que cocô é lixo,
E não serve pra nada
Que acabou.
Ô bicho,
Você não sabe de nada,
Cocô ajuda a terra a fazer comida pra você comer,
Yeah!
Ãããã???
É verdade,
o meu avô!
Nada como um cocô de vaca,
De cavalo,
Ou de galinha,
Pra adubar a terra...
Ô cocô,
Então você gosta de voltar pra terra?
Eu amooo...
A terra e minha mãe,
Ela me quer,
Tchutchurutchururu,
Com ela eu sou feliz,
Tchutchururururu,
Eu ajudo,
Ajudo,
Ajudo,
Ajudo,
Eu viro adubo,
Adubo,
Adubo,
Adubo,
Meu cheiro vai saindo,
Seco e sou feliz!
Yeah!
Óóóóóóóó,
Ó tá de parabéns viu seu cocô.
Obrigada,
Obrigada.


Um comentário:

  1. Muito, muito boa sua materia meu camarada ! Originak e necessaria ! Parabens pela licao de educacao ambuental !

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